quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Irracional, primitiva, selvagem, onipotente, infantil, volúvel, caprichosa, imprevisível. Com quantos adjetivos convive a multidão? Gustave Le Bon, psicólogo francês que escreve nas primeiras décadas do séc. XX, diria que as características da multidão não podem ser encontradas pela soma das qualidades dos indivíduos que a compõe, pois, nas massas, não existiriam mais indivíduos. Estes se encontrariam diluídos.
A pretensão deste trabalho é analisar os conceitos de “indivíduo” e “multidão” cunhados por cientistas e literatos do séc. XIX e início do séc. XX. Para tal, priorizarei o estudo de pensadores que, de diferentes maneiras, escreveram sobre a relação entre massas e violência ou sobre estratégias de controle das massas, interpretando-as ora como fenômeno capaz de fazer desaparecer os indivíduos delaparticipantes, ora como aglomeração que possibilita o alcance pleno da liberdade pelo indivíduo moderno. Busco também perceber como autores contemporâneos (re)utilizam interpretações sobre a multidão, alicerçadas naquele contexto histórico, em estudos mais atuais, notadamente do campo jurídico. Yuri Michael Pereira Costa

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